Candidato de Itabi é acusado de crimes eleitorais
O ex-secretário de Estado, Valdione de Sá (DEM), durante coletiva à imprensa na quinta-feita, 19, denunciou o atual procurador do município, Rubens Feitosa, por crimes eleitorais nas últimas três eleições municipais. Valdione já abriu dois processos na Justiça Eleitoral contra Feitosa, um em 2004 e outro em 2007, porém nenhuma das questões foi julgada. Valdione afirma que decidiu denunciar os crimes agora, para que algo seja feito antes das eleições.
Valdione Sá (foto) denuncia demora no julgamento de crimes eleitorais contra Rubens Feitosa
De acordo com Valdione de Sá, em 1996, Rubens Feitosa, então candidato à prefeito, comprou votos e orientou eleitores a votarem mais de uma vez. O esquema seria feito através de uma coligação com a chefe do Cartório Eleitoral, Irma Albuquerque, que desviava cédulas eleitorais adicionais para Feitosa. As cédulas eram distribuídas entre os cabos eleitorais, que davam mais de uma cédula para os eleitores depositarem nas urnas.
Em 2000, quando as eleições passaram a ser eletrônicas, Feitosa foi candidato à reeleição, e teria utilizado a festa do Jegue, que acontece 15 dias antes da eleição, como showmício. A festa é patrocinada pela Prefeitura, mas as bandas contratadas estavam usando camisas com o número do candidato, e Feitosa chegou a discursar no palco. O MPE entrou com um processo e pediu a inelegibilidade do prefeito, porém, o julgamento foi favorável à Feitosa.
Nas últimas eleições municipais em 2004, Feitosa teria se utilizado da máquina pública para comprar votos e títulos eleitorais de cidadãos que votavam em outras cidades. O grupo político dele foi mais uma vez vencedor do pleito eleitoral. Após reunir uma vasta documentação que comprovaria a fraude, Valdione Sá entrou com denúncia no Ministério Público Estadual e Federal. Ambos pediram a cassação do prefeito, porém o processo ainda não foi julgado.
“O que eu estou pedindo é celeridade nesse julgamento. Me apoio nas palavras do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, quando diz que um crime eleitoral não deve ficar sem uma sentença até as próximas eleições. Eu não quero mais que esse tipo de crime aconteça no meu município, e que ele não seja mais candidato”, disse Valdione na manhã dessa sexta-feira, 20.
Ele seria candidato à prefeito pelo Democratas, no entanto, como os processos contra Rubens ainda não foram julgados, ele afirma ter desistido da candidatura. “Não vou investir numa campanha para que ele depois vença cometendo esses crimes”, afirmou.
Além dos crimes eleitorais, o político afirma que a atual administração do grupo político de Feitosa, tem desviado dinheiro através da contratação de funcionários eventuais. Esse tipo de contratação é admitido nas prefeituras pelo período de 90 dias, no entanto, há 42 pessoas com quase 10 anos nessa situação em Itabi.
De acordo com a documentação apresentada por Valdione, os servidores dizem que recebem R$50 por semana, quando a prestação de contas da prefeitura aponta um gasto de R$90. Ao total, seriam R$80 mil pagos pela Prefeitura a funcionários eventuais por mês. A arrecadação de Itabi é sustentada basicamente pelo Fundo de Participação dos Municípios, repassado pelo Governo Federal, tendo uma renda de R$500 mil mensais.
Mesma denúncia
O ex-prefeito de Itabi, Rubens Feitosa, disse ao Portal Infonet que Antônio Valdione vem repetindo as denúncias desde 2000. E explicou que as revelações feitas por ele em uma coletiva à imprensa na última quinta-feira, 19, foram motivo de investigações e nada ficou provado.
“Tudo o que Valdione está denunciando é invenção dele. Acredito que ele quer justificar sua ausência como candidato nas próximas eleições, porque não consegue reunir uma coligação. Ele não tem ambiente e nem prestígio para ser candidato. Na cabeça da chapa ele não sai com uma coligação. É o desespero”, diz Feitosa, acrescentando que ele só faz estas denúncias de quatro em quatro anos.
Lembrando um pouco a história política do município, Ruben Feitosa disse que ao disputar as eleições em 92 contra Valdione, ele saiu vitorioso. “No dia da apuração houve uma impugnação de três ou quatro urnas, mas não passou dali. Foi julgado improcedente, não houve recurso para o TRE e morreu ali o assunto. E quatro anos depois, 14 de agosto de 2000 saiu uma matéria na imprensa, dizendo que houve fraude. A manchete era ‘Ex-prefeito acusa Justiça de conivência com fraude em Itabi’, mas na mesma resposta deste jornal embaixo tinha ‘Juíza diz que recursos foram improcedentes’”, conta.
Rubens Feitosa conta que a juíza entrou com um processo na Comarca de Gararu pedindo indenização por danos morais e ele se retratou. “Logo depois, no dia 25 de setembro do mesmo ano a manchete dói ‘Ex-prefeito nega acusação de conivência na Justiça com fraude na eleição de Itabi’”, lembra.
Fonte: Infonet - Politica








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