O ex-prefeito de Propriá, Renato Brandão (PMDB), desincompatibilizou-se do cargo de secretário de Estado do Trabalho para formalizar sua pré-candidatura a prefeito do município. O que pouca gente esperava é que seu principal adversário nas urnas possa ser o atual prefeito Paulo Britto (PT), a quem ele ajudou a eleger. O petista, que foi seu secretário de Saúde durante oito anos nos dois mandatos consecutivos de Renatinho (97 a 2004), assumiu o cargo em novembro de 2006 depois que a Justiça Eleitoral afastou o então prefeito Luciano Nascimento (DEM).
Mas a relação política entre as duas lideranças vinha arranhada de um tempo pra cá, e os primeiros arranhões iniciaram logo após a posse de Paulo Britto. “Ele rompeu com todos os compromissos e acordos firmados com os partidos e com as lideranças locais. Eu mesmo nunca fui consultado por esse rapaz”, argumenta o pré-candidato do PMDB.
Segundo Renatinho, o grupo político do qual fazem parte tem como base principal a escuta da população, algo que não vem acontecendo na gestão do atual prefeito. “O grande mote da virada dessa relação de poder entre a elite e o povo, é que este passou a ser ouvido, a participar efetivamente não apenas das discussões políticas eleitorais, mas do projeto político-administrativo amplamente discutido com a comunidade. O prefeito sempre ouviu a população, vivia na cidade, acompanhava os problemas da população e tentava soluções para eles”, lembra o ex-prefeito, afirmando que esta realidade não foi colocada em prática pelo atual administrador.
Renatinho lembra que não foi por falta de oportunidade que Paulo Britto colocou em prática um projeto participativo de governo com o grupo. “No dia da posse ele chegou para mim e perguntou o que era que eu queria. Disse que não queria nada pessoal dele, que Déda iria assumir em janeiro e havia uma expectativa da minha participação no governo. Mas também disse que teríamos muito tempo para discutir a administração e a política de Propriá. Tivemos algumas conversas depois disso porque eu provoquei mais com o objetivo de desabafar, uma vez que já em fevereiro do ano passado havia um descontentamento muito grande da população com o seu governo”, opina o peemedebista.
O pré-candidato do PMDB conta que depois da posse só esteve duas vezes no gabinete do prefeito, mesmo morando em frente à sede municipal. Uma vez na companhia do secretário de Estado da Saúde, Rogério Carvalho, juntamente com um grupo de vereadores, e outra para discutir a cessão de um terreno para a construção de um Núcleo de Atendimento ao Trabalhador (NAT) em Propriá.
Renatinho reconhece que esse rompimento chega a ser frustrante, principalmente pela relação de amizade entre os dois. “Não tenha dúvida, até porque me considero amigo dele. No entanto, até agora, não consegui entender o seu isolamento, mesmo porque publicamente ele me elogia. Só que o secretariado, que foi escolhido por ele, me esculhamba por onde anda”, lamenta.
Pesquisas
Seu último contato com o prefeito foi durante uma reunião na casa de Jackson Barreto há aproximadamente um mês, quando Paulo Britto foi acompanhado do secretário Rogério Carvalho. “Fechamos um acordo que faríamos uma pesquisa através de um instituo sério para, a partir daí, sentarmos e discutirmos quais os caminhos a percorrer. Só que na última entrevista que deu na Ilha FM em Propriá, ele disse que pesquisa nesse momento não tinha importância nenhuma, chegava a ser até ridículo, pois ele tinha obras a realizar e lá para agosto e setembro é que iria fazer uma para consultar a opinião da população. Ora, como é que você está em terceiro e vai esperar por agosto ou setembro para ver se muda o candidato ou não, se vai atrás de novos apoios ou não para fortalecer a campanha? Isso não existe”, critica Renatinho.
O ex-prefeito disse que não tinha outra decisão a tomar, neste caso, a não ser lançar sua pré-candidatura. Outro fato que o motivou a disputar o pleito foi, segundo ele, o baixo desempenho do prefeito nas pesquisas eleitorais. “Todas as pesquisas realizadas o colocam em terceiro lugar. Numa situação dessas, não podemos empurrar o problema com a barriga”,diz.
Na opinião de Renatinho, “um grupo que constrói um projeto político há 20 anos não pode perder a oportunidade de continuar implementando essa nova prática que foi construída pelo nosso grupo desde 1997 para cá.” Para o ex-prefeito, “o risco da derrota motiva uma tomada de posição desse nível, e só ganha de quem quer que seja se o grupo se unir.”
Ela reforça que sua pré-candidatura “não é uma ambição pessoal.” O peemedebista lembra que foi secretário a convite do governador, e que, na pasta, “tinha condições de realizar um trabalho que me projetasse para uma possível candidatura a deputado estadual.” Segundo Renatinho, só de previsão para qualificação de trabalhadores em 2008, o número chegaria a 35 mil. “Minha preocupação reside tão somente no cuidado de obtermos um resultado favorável nas eleições de outubro.”
Alianças
Oex-prefeito revelou que não há nada definido sobre alianças ou composição da chapa majoritária. Segundo Renatinho, seu nome conta com a simpatia de filiados de todos os partidos que compõem o bloco governista no município. Na quinta-feira (5), por exemplo, quando oficializou sua saída do governo, ele estava acompanhado dos vereadores Costinha (PMDB), Elisabeth Nunes (PDT) e Paulo Campos, do PT de Paulo Britto.
Mesmo com o possível rompimento, ele vê espaço para o prefeito na chapa. “Não temos ainda nenhum nome amarrado de vice. Estamos, inclusive, abertos ao PT, na pessoa do próprio Paulo Britto ou do presidente da Câmara, Fernandinho Britto”, aponta.
Em relação ao presidente do PMDB, o ex-prefeito disse que já conversou com Jackson Barreto e que ele está ciente da sua decisão política. Ele também comentou sobre o posicionamento do governador. “Claro que tanto Jackson como Déda gostariam muito de ver esse grupo unido, somado, fortalecido para enfrentar o adversário, e acho até que vão tentar construir isso. Espero que todos nós tenhamos bom senso e pensemos num projeto coletivo”, comenta.
Renatinho disse não acreditar que terá o governador no palanque adversário em Própria. “Ninguém gostaria de ver isso, nem eu nem Paulo Britto. Se Marcelo Déda for para o município, ele irá subir no palanque que tiver chances reais de vitória. Déda sabe que o apoio popular é fundamental para a vitória, e ele sabe que a população de Propriá nunca o abandonou e que sempre teve um carinho extraordinário com ele em todas as campanhas.”
Fonte: Jornal da Cidade